• Fabio Ritter

Entrevista Exclusiva: O preparador que lançou Victor


Confira a entrevista na íntegra abaixo.

Guarda-Metas.com: Desde quando atuas como treinador de goleiro? Carlos Lima: 1995

GM: Quando conheceu Victor? Ele já se destacava? CL: Foi no início de 1998, era infantil e o destaque dos garotos da idade, pouco antes de vir para o Paulista, ele despertou interesse de “olheiros” do São Paulo, demoraram a agendar sua ida para o Morumbi e após uma avaliação do Paulista na região de Santo Anastácio, Victor veio para Jundiaí.

GM: Quais foram as qualidades que se sobressaíram em Victor? CL: Aos 15 anos, já com boa estatura, mas com aquela coordenação peculiar de adolescentes muito altos, explorava bem a boa envergadura e as longas pernas para realizar defesas difíceis. Seu bom posicionamento lhe favorecia para dificultar a vida dos atacantes. Outra habilidade em que se destacava eram as saídas em bolas aéreas.

GM: Fizeste algum trabalho específico para corrigir alguma falha? CL: Houve um período que trabalhamos bastante para melhorar o encaixe das bolas baixas (a “cama” como chamamos aqui em São Paulo), foram vários estímulos de fundamentação técnica com coordenativos, educativos e exercícios de agilidade. É comum goleiros jovens e altos apresentarem dificuldades com as bolas rasteiras. Com boa didática, progressão pedagógica e muito incentivo pode se minimizar os erros e melhorar a qualidade técnica. Insistimos muito também com os exercícios para o desenvolvimento das habilidades com os pés, mas essa é uma proposta que desenvolvo com todos os goleiros.

GM: Hoje, como desenvolve teus trabalhos no Paulista? CL: De forma simples. O básico bem feito já nos coloca em um nível médio de competitividade, se isso somar-se a alguma habilidade ou condição diferenciada tem se um trabalho destacado. Nossa estrutura de trabalho é pouca, porém suficiente para atingirmos nossos objetivos. Planejamento, organização, improviso criatividade e busca, muita busca pelo conhecimento. Manter-nos atualizados é fundamental. Considero alguns aspectos importantes que devem compor uma metodologia de trabalho:

– Selecionar criteriosamente os atletas – isso facilita demasiadamente na formação do atleta de alto nível; – Planejamento e controle do desenvolvimento do atleta em todas as fases de formação; – Integração da equipe principal com as equipes de formação. Na equipe principal do Paulista, temos três goleiros, dois com 22 anos e um com 21 anos, nos treinos sempre completamos com mais um goleiro do sub 20. Apostamos na juventude, importante é ter competência. Acertar ou errar pode ocorrer em qualquer idade; – As diretrizes de nossa metodologia se estabelecem por meios de princípios, um deles é o da especificidade, como citarei adiante; – Buscamos também a integração entre os treinadores de goleiros, preparadores físicos, técnicos, psicólogos, assistente sociais, fisiologistas, fisioterapeutas e todas as áreas de apoio, a fim de somarmos competências para otimizar nosso desempenho em equipe.

GM: És do tipo que trabalha séries de extensas repetições, ou preferes série mais curtas focada na qualidade? CL: As ações determinantes do goleiro são as ações rápidas. Um dos princípios que emprego nos treinamentos é o da especificidade. Trabalho, na maioria das vezes, com séries intensas de 6” seg. a 9” seg. com pausas de 2’ min a 4’ min entre as séries. Dependendo do exercício e das características individuais dá para se realizar de 4 a 6 repetições numa série, de maneira bem qualitativa (tanto física, quanto tecnicamente). Considero algumas vantagens por desenvolver os treinamentos dessa maneira:

– Promove a adaptação adequada para as exigências (ações rápidas e precisas) que terá o goleiro no jogo;

– Permite ao atleta suportar uma seção de treinamento respondendo de forma eficiente do início ao fim; – A recuperação entre uma seção e outra se dá de forma mais plena; – O goleiro bem treinado e descansado aumenta significativamente sua capacidade de reagir rápido e com eficácia durante o jogo.

GM: Alguma dica final para os goleiros. CL: Inspiração, transpiração e amor pelo que faz. Palavras de entusiasmo e incentivo são muito boas momentos antes de uma partida, mas é no trabalho cotidiano que se começa a vencer. A dedicação, a vontade e o trabalho devem se apresentar aí também. A euforia e o querer apenas no dia do jogo são apenas sentimentos que podem passar antes de 5’ min, com a primeira adversidade. Mas quem estiver preparado lutará até o fim com segurança e convicção.

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