• Fabio Ritter

Goleiros da História: De coadjuvante a protagonista

*por Fábio Fernandes


Em 1990, a Copa do Mundo não começou bem para a até então campeã Argentina, muito menos para seu goleiro Nery Pumpido que falhou na derrota por um único gol na partida de estreia frente a Seleção de Camarões.

Nada poderia ser pior para ele? Poderia sim. No jogo seguinte contra a Rússia (na época ainda era União Soviética), o arqueiro argentino fraturou a perna, dando lugar para seu reserva imediato. Sergio Javier Goycochea.

Nascido em Buenos Aires no dia 17 de outubro de 1963, Goycochea foi um grande goleiro e um dos protagonistas do vice-campeonato em 90 ao lado de Diego Maradona.

Profissionalmente começou no River Plate em 1982. Ficou até 88 quando foi para a Colômbia jogar no Milionários. Dois anos mais tarde voltou para a Argentina para defender o Racing. Depois jogou no Brest da França, Cerro Porteño e Olimpia ambos do Paraguai. Em 94 jogou no pequeno clube argentino Textil Mandiyú.

Em 95 foi contrato pelo Internacional de Porto Alegre, jogando duas temporadas no futebol brasileiro. Já no final da carreira, fez parte do elenco do Vélez Sarsfield e por fim Newell’s Old Boys.

Mas foi defendendo a seleção que Goyco, como era chamado pelos torcedores, fez sucesso mundialmente.

Depois de entrar no jogo contra a Rússia que a Argentina venceu por 2 a 0, Goycochea jogou contra a Romênia no empate em 1 a 1, passando para próxima fase da Copa do Mundo da Itália.



Nas oitavas, segurou o Brasil como pode e sua seleção foi agraciada com um gol de Caniggia aos 35 minutos do segundo tempo.

Se um bom goleiro tem que ter sorte, naquele dia ele foi um monstro, pois o Brasil cansou de perder gols. Foram pelo menos três bolas na trave. É bem verdade que Goyco às vezes parecia meio assustado com o ataque brasileiro, mas ele esteve sempre firme, segurando o resultado até o final.

Nas quartas de finais, ajudou sua equipe no empate em 0 a 0 contra a Iugoslávia, e nos pênaltis defendeu duas cobranças levando a Argentina para a semifinal.

Contra a Itália mais um empate, só que agora por 1 a 1. Schillaci abriu o placar no primeiro tempo e Caniggia empatou na segunda etapa. Mais uma partida para os pênaltis e mais duas defesas de Goyco.

A Argentina estava classificada para a segunda final consecutiva.

Como grande pegador de pênaltis que era, Goyco recebeu o apelido de Tapa Penales.

Ele quase sempre acertava o canto nas cobranças de penalidades e na época levantou hipóteses sobre o comportamento do goleiro no momento da cobrança. Esperar o batedor ou escolher um canto?

Com 1,85m, ele parecia desajeitado. Não tinha a pinta de um grande goleiro. Mas era. Voava como se não fosse chegar. Mas chegava.

As bolas alçadas na área ele saia. Nem sempre tinha sucesso, mas quase sempre tinha sorte.

Venceu as Copas Américas de 91 e 93. Em 90, além do vice-campeonato mundial, foi eleito o melhor goleiro da Copa do Mundo.

De acordo com a Federação Internacional de Histórias e Estatísticas do Futebol (IFFHS), foi duas vezes segundo no ranking e uma vez sexto e outra oitavo.


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