• Fabio Ritter

Goleiros da história: Diabo loiro

* por Fábio Fernandes



Ele jogou em vários clubes do futebol espanhol, mas só se firmou mesmo no último de sua carreira, aos 28 anos de idade. Estamos falando de José Santiago Cañizares Ruiz, ou simplesmente Santiago Cañizares.


Nascido em Puertollano, município espanhol situado a 250 Km de Madrid no dia 18 de dezembro de 1969, Cañizares começou no futebol nas categorias de base do Real Madrid aos 18 anos. De 1988 a 1990, jogou no time B da equipe da capital espanhola.


De 90 até 94, entre idas e vindas jogou por empréstimo nos times do Elche, Mérida e Celta de Vigo, sendo que só no último conseguiu obter maior sequência de jogos. Ao final destas andanças, Cañizares voltou ao clube merengue. Em mais quatro anos na capital, foi titular apenas algumas dezenas de partidas, disputando a titularidade com o alemão Bodo Ilgner.


Em 1998 decidiu mudar de ares e cuidar de sua vida. Transferiu-se para o Valencia, equipe que defendeu por 10 anos em mais de 300 jogos. Seguro, Cañizares tinha um estilo próprio de jogar. Cumpria sua missão. A de evitar o gol. Não importava como fosse. Não pensava na estética da jogada, pensava apenas em impedir o momento máximo do futebol e de ajudar sua equipe.


Cañizares não fazia pose, fazia milagre. Além de tudo isso era muito técnico. Era um jogador de xadrez, pensava na defesa e na jogada seguinte, evitando rebotes desnecessários agarrando com segurança ou mandando a bola para longe do perigo.


Era calmo e explosivo. Com um estilo irreverente, às vezes se envolvia em polêmica. Valente, fazia o tipo de “não levar desaforo para casa”. Além de tantas diferenças, Cañizares pintava o cabelo de loiro, demonstrando ainda mais a força de sua personalidade.

Nos lances de um contra um, diminuía o espaço e era paciente, sua categoria falava mais alto e quase sempre levava vantagem. Sem sombra de dúvida, a altura é importante para o goleiro, mas com 1,81m, Cañizares demonstrava que só ela não basta. É preciso ter instinto, instinto de guardião, de defensor. O goleiro precisa ser nato e não se tornar um. Cañizares é prova viva disto.


Com o Real Madrid conquistou vários títulos sendo o mais importante a Copa dos Campeões da Uefa em 98 só que como reserva. Com o Valencia também conquistou vários títulos, sendo os principais duas Ligas da Espanha, uma Copa del Rey e uma Copa da Uefa.

Mas o maior dele foi aquele que não existiu. Em 2001, Cañizares comandou a equipe do Valencia que chegou à final da Copa dos Campeões da Uefa. Jogou muito bem contra o Bayern de Munique e perdeu nos pênaltis.

Mas se Santiago Cañizares era tão bom, e a seleção?

Conquistou o ouro olímpico com a Espanha em 1992. Disputou três Eurocopas sendo uma como reserva de Zubizarreta e duas como titular.


Copas do Mundo foram três também. Todas como reserva. Poderia ter ido em mais uma, sendo que esta quarta seria titular absoluto. Foi em 2002. Era o dono da camisa 1. Mas um acidente inusitado o tirou do mundial dias antes de seu início. Um corte em seu pé ocasionado por um vidro de perfume fez com que assistisse os jogos da seleção nacional pela televisão.

Em 2008, em comum acordo com a equipe em que mais jogou, rescindiu seu contrato e encerrou sua carreira.

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