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  • Fabio Ritter

Goleiros da História: O topete voador

*por Fabio Fernandes


A década de 80 foi marcada pelas roupas coloridas, pela música pop, pelos cabelos esvoaçantes e pelos excelentes goleiros europeus.

Johannes Franciscus Van Breukelen, ou simplesmente Hans Van Breukelen, foi um deles.

Nascido em Utrecht na Holanda, começou no clube de sua cidade que leva o mesmo nome, estreando em 1978. Sua regularidade chamou a atenção e em 1982 foi contratado pelo Nottingham Forest da Inglaterra com a missão de substituir Peter Shilton.

Em 84 voltou ao seu país para jogar no PSV Eindhoven, clube pelo qual conquistou títulos importantes como quatro campeonatos nacionais e uma Taça dos Campeões da Europa, defendo o último pênalti na final contra o Benfica.

Como um bom goleiro europeu, Van Breukelen sabia a hora certa de fazer a coisa certa. Diferentemente de alguns latino-americanos, ele saia do gol com muita, mas muita destreza. Dava o bote no momento certo, ou seja, no momento em que surtiria efeito. Caso contrário, se percebesse que não chegaria primeiro que o atacante na bola, aguardava para tomar a decisão. E quase sempre praticava a defesa, pois tinha o “time” da bola.

Podia se dizer que Van Breukelen era frio, mas ao mesmo tempo era um goleiro agressivo. Se achasse prudente, saia com muito arrojo para cima do atacante, às vezes até com excesso.

Pela seleção da Holanda jogou 73 partidas, sendo que a última foi na derrota contra a Dinamarca em 1990, ocasião em que sua equipe foi eliminada em sua única participação em Copa do Mundo.

Jogou também a Eurocopa de 80 como reserva. Depois, a de 1988, foi titular e campeão. Participou ainda da Euro de 1992.


Lembro-me de uma defesa que fez de um chute forte de fora da área. A bola veio à meia altura e Van Breukelen espalmou para a lateral sem qualquer cerimônia. O fato de a bola ter saído pela linha de lado do campo, nos dá a ideia da potencia do chute, mas ele não tentou encaixar e muito menos rebateu para onde o perigo pudesse permanecer. Tudo isso sem alarde, sem ponte, apenas com um joelho no chão, com muita calma e eficiência.

Era discreto, mas se precisasse voar, voava. Não fazia ponte a esmo, mas se ela fosse necessária usava de sua técnica apurada e ia buscar a bola onde quer que fosse.

Encerrou a carreira em 94 aos 38 anos.

É um dos principais goleiros holandeses de todos os tempos, sendo responsável pela grande escola de arqueiros de seu país, inspirando inclusive o grande Van der Sar.

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