• Fabio Ritter

Lesão também de goleiro


Na meu círculo de amizades, estatisticamente, um amigo sofre a lesão por ano. Nos campeonatos profissionais, o número é muito maior, obviamente. Esta semana teve a coincidência de dois casos, aqui na Inglaterra: o do brasileiro Anderson, do Manchester United, e o do goleiro Petr Cech, do Chelsea.

O blogoleiro Gustavo Meirelles foi mais um dos sorteados com a lesão. Ele contou para nós sua rotina desde a lesão até o período recuperação.

Confira o relato abaixo:

Bom, o primeiro jogo do time foi no dia 23 de janeiro. Nesse jogo, então, eu saí da área para afastar uma bola que estava um tanto adiantada para o atacante adversário, porém, assim como eu, o jogador também fez o que pôde para alcançar a bola e acabamos nos colidindo e, mesmo eu usando todo o meu corpo contra o dele, ao espichar a perna para afastar a bola para a lateral acabei batendo o meu joelho direito contra a perna dele tendo uma torção. No momento exato ouvi dois “estalos” muito estranhos do joelho, descritos também pelo adversário posteriormente. Ví que o joelho fez uma rotação incomum e logo desabei com muita dor e sem sentir a perna direita, algo semelhante a uma anestesia. No atendimento no campo recebi água gelada, anti-inflamatório aerosol e gelo. Fui levado ao hospital logo em seguida, pois sabia q não tinha sido uma mera contusão.

Após Ressonância Magnética, ficou constatado a torção com ruptura completa do ligamento cruzado anterior. Como recém tinha começado o ano e ainda não estávamos em campeonato, ou seja, não tinha exagerada urgência, a minha cirurgia foi marcada para o último dia 19, período que coincidiu com as minhas férias na empresa onde trabalho.

A cirurgia ocorreu bem. Fiquei pouco mais de 24 horas internado. Na cirurgia foi retirado o ligamento rompido, afinal ele não possui mais função, era tecido morto, e colocado um pedaço do tendão da coxa direita preso com um pino de titânio e um parafuso degradável. Segundo o médico, o pedaço do tendão que substitui tem mais do que o dobro de força do que o ligamento original, ou seja, será mais provável eu romper o ligamento do joelho esquerdo do que romper este pedaço de tendão colocado no joelho direito.

Saí do hospital utilizando um imobilizador de toda a perna direita, conhecido como “brace”, e, claro, muletas canadenses. O meu dia a dia até o momento é de repouso, preferencialmente com a perna direita inclinada para cima, tomando anti-inflamatório. Na última terça-feira tive a consulta de revisão onde o médico me deu exercícios para fortalecer a musculatura e ir voltando a ter os mesmos movimentos de dobra do joelho. São séries de exercícios 3x ao dia, com uso de gelo após. O mais complicado é realmente tomar banho ou meramente ir ao banheiro mesmo. Assim devo seguir até a sexta-feira da outra semana, dia 5, quando, então, devo retirar os pontos e abandonar uma das muletas, iniciando um ciclo de fisioterapia, que deve incluir exercícios em piscina. Após, pretendo fazer reabilitação esportiva mesmo, ou seja, pretendo fazer o reforço muscular em uma academia aqui que tem programas voltados para atletas. Na prática, farei um reforço muscular na perna direita, pois a musculatura sofre uma espécie de atrofia, e farei exercícios que reproduzem os movimentos do goleiro em campo.

Fiquei muito assustado com toda essa história. Meus consolos foram os jogadores que descobri que já passaram por isso, como o goleiro Doni (Roma), ou que estão passando por isso, como o Lúcio e Souza (Grêmio), e, mais recentemente, o Anderson (Manchester). As pessoas próximas me questionam muito sobre eu voltar a jogar, o que deve acontecer daqui uns 5 meses, pois, como não é o futebol que me sustenta, esse susto já estaria de bom tamanho. Acho que o mais difícil não seria deixar de jogar, mas sim deixar uma paixão de lado que é a de ser goleiro. A minha pretenção para 2010 como goleiro era a criação de um novo time em minha cidade, criação esta da qual sou um dos idealizadores e seria um dos jogadores. Já temos um valor considerável de patrocínio, 14 jogadores confirmados… enfim, vamos ver no que dá. Por enquanto é ficar aqui “de molho”.

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