• Fabio Ritter

Problemas nos pés

Taí uma das técnicas que deixa os goleiros brasileiros um pouco atrás das principais escolas do mundo: o jogo com os pés. Se falar que Manuel Neuer é um exemplo a ser seguido com a bola nos pés já está batido, precisamos então analisar a fundo o que acontece com nossa escola quando falamos deste assunto.

Neste final de semana, tivemos dois exemplos com goleiros de primeira linha, em nossos campeonatos estaduais, de que o jogo com os pés ainda é uma técnica dominada por poucos na posição.

O primeiro vídeo abaixo traz o goleiro Muriel, do Internacional, que já foi titular do clube e hoje senta no banco para seu irmão, Alisson. Com 28 anos, o goleiro já tem experiência suficiente para atuar com a camisa vermelha. Ou seja, o erro foi puramente técnico, não passando por questões psicológicas, justificáveis em profissionais no início da carreira. Veja abaixo que Muriel domina a bola e, quando ajeita ela, conduz com força, perdendo o controle da bola. Na sequência, faz o pênalti, leva cartão amarelo e ainda sofre o gol que determinou a derrota do seu time por 1 a 0. Que estrago!

Já o segundo gol vem de um goleiro super experiente e consagrado, o craque Fábio, do Cruzeiro. Atual bi-campeão do Brasil, o goleiro parece que gosta de aprontar no clássico diante do Galo. Marcado por, em 2007, sofrer um gol na saída de bola quando estava de costas para o lance, Fábio falhou feio novamente no clássico. Veja abaixo como a jogada foi uma sucessão de erros. O primeiro foi de interpretação da regra: Fábio não precisava usar os pés na jogada, já que ela havia sido rebatida por seu zagueiro e não passada. O goleiro poderia muito bem ter recolhido a bola com as mãos e definido a jogada.

Até parece que Fábio pensou em um dado momento em fazer isso, mas logo em seguida parece mudar de ideia e no reflexo acaba optando por chutar. Ele ainda tinha muito tempo, pois não havia uma pressão forte de seus adversários. Poderia ter dominado a bola inclusive, antes de chutá-la. Prova é que quando o goleiro chuta, a bola bate nas costas do jogador do atlético, antes de sobrar para Rafael Carioca, que manda para o gol. Pareceu uma jogada daquelas de reflexo puro, que o goleiro faz sem pensar. Uma pena.


Tento aqui no Guarda-Metas.com, sempre que possível, compartilhar exercícios e técnicas acerca desta valência. O jogo com os pés deve ser incluído na rotina diária dos treinamentos, seja no aquecimento, seja durante os exercícios. Fato é que precisamos estar prontos para usar deste recurso durante os jogos. Não podemos mais conceder gols por errar neste fundamente que faz tempo vem sendo exigido no futebol de alto nível.

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