• Fabio Ritter

Profissional também chora

Seguidamente recebo e-mails de jovens goleiros perguntando como devem controlar o nervosismo em partidas importantes. O conselho que sempre dou é o de se preparar da melhor forma para as partidas. E isso não vem um dia antes, mas sim alguns meses antes, para não dizer anos, com uma rotina qualificada de treinamento e preparação técnica, física e psicológica.

O que muitos jovens goleiros esquecem é que o nervosismo faz parte de todos os goleiros, não apenas os iniciantes. Um dia perguntaram ao veterano Clemer, ex-Inter, quando ainda jogava, sobre qual o seu sentimento ao entrar em campo. E ele confirmou que de fato sempre sentia um frio na barriga quando entrava em campo, ainda mais nos jogos difíceis. E ele afirmou que o errado seria não sentir este frio. Caso isso ocorresse é porque ele não estaria concentrado para aquela partida.

O nervosismo vem também da vontade de ganhar, da importância que o goleiro dá a partida. Se formos bater uma bola no quintal de casa certamente não iremos tremer as pernas. Mas no caso de um campeonato valendo taça a situação já é diferente.

Querem um exemplo? Pois ontem o goleiro Waleed Abdullah, da Arábia Saudita, saiu aos prantos do gramado, na partida diante da Jordânia, válida pela Copa da Ásia. O goleiro falhou no único gol da partida ao se passar da bola em um cruzamento que entrou direto no gol. Quando o juiz apitou o final do jogo, Abdullah chorou copiosamente mesmo ao ser consolado pelos companheiros.

Ou seja, este é mais um exemplo de que mesmo os goleiros profissionais, habituados com estádios cheios e decisões, também são de carne e osso, e mais do que nada, de sentimento. Nesse caso, o sentimento do nervosismo, da vontade de ganhar, esteve latente no goleiro árabe.

Por isso, tu blogoleiro, não se preocupe se a perna tremer na próxima partida, se o frio na barriga vier, ou se até mesmo tu saires chorando após uma falha. Isso tudo faz parte da nossa posição. Seja nos campos da várzea, seja nos colossais estádios asiáticos.


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