• Fabio Ritter

Goleiros da História: Um gigante de verdade

*por Fábio Fernandes


Nascido em Montevidéu em 20 de janeiro de 1956, Rodolfo Sergio Rodriguez y Rodriguez começou no Cerro, clube da cidade, em 1976. Dois anos depois foi transferido para o tradicional Nacional do Uruguai.

Lá se destacou, venceu três campeonatos uruguaios, uma Libertadores e um Mundial. Pela seleção, conquistou uma Copa América e o Mundialito de 81 com a “Celeste”, derrotando o Brasil na final por 2 a 1. Rodolfo literalmente fechou o gol, mostrando ali sua monstruosidade debaixo das traves.

Despertou o interesse do Santos, que não tinha dinheiro para comprar o tão almejado jogador. Três anos depois, Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, resolveu intervir e emprestar dinheiro para a vinda do goleiro para o alvinegro praiano.

Logo no primeiro ano de Vila Belmiro, Rodolfo Rodriguez protagonizou uma das maiores defesas de todos os tempos. Uma sequencia que parecia não ter fim.

Foi contra o América, partida válida pelo campeonato paulista. O Santos ganhou de 2 a 0 e ao final do jogo na Vila Belmiro o atacante Tarcísio da equipe de São José do Rio Preto disse aos repórteres: “Não sei o que aconteceu, parecia que o goleiro era maior que o gol.”

Era realmente um “gigante”. Com 1,91m, Rodolfo tinha também uma excelente envergadura além de uma técnica apuradíssima. Coragem e arrojo eram qualidades que caracterizavam ainda mais o forte arqueiro. Fora a elegância dentro de campo. Seu porte físico imponente parecia dar mais segurança a sua equipe. Sempre com meias e calções pretos, as camisas claras ou escuras davam a harmonia perfeita ao arqueiro líder e muitas vezes capitão.

Tive a oportunidade de acompanhar pessoalmente uma entrevista do nobre arqueiro ao final de uma partida. A equipe santista não atravessava uma boa fase, e seus jogadores se evadiram do estádio para fugir dos jornalistas. Rodolfo não. Ficou, atendeu todos, ouviu e entendeu. Sabia da situação do time, mas sabia também que ele se dedicava ao máximo para a evolução do grupo. Não devia nada para ninguém. Pelo contrário. Seus colegas é que deviam muito a ele.


Naquele momento, pude sentir quem era aquele homem, e perceber sua honestidade, competência, dedicação e principalmente caráter.

O Rei Pelé fez muito pelo futebol brasileiro e pelo Santos. Mas fez muito também quando emprestou dinheiro para a vinda de Rodolfo Rodriguez. Porque ele também contribuiu (e muito) para o futebol e principalmente para o futebol brasileiro.

Depois de quatro anos na Vila e a conquista de um Paulista, Rodolfo Rodriguez foi para Portugal onde jogou pelo Sporting. Ficou lá por dois anos. Em seguida voltou para o Brasil para defender a Portuguesa e o Bahia, clube onde conquistou dois estaduais e encerrou a carreira em 1994.

Copa do mundo participou somente de uma, 1986. Parece pouco? Não para um gigante como Rodolfo Rodrigues, que honrou todas as camisas que vestiu, inclusive a de seu país.


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