• Fabio Ritter

A era 1-4-2-3-1

O que tem de errado na tática que traz o título do post? A partir desta Copa do Mundo 2014 nada! Aquele 1 que agora aparece antes de qualquer esquema tático proposto pelos treinadores traz o goleiro. Como bem definiu o artigo de Paddy Vipond, no jornal inglês The Guardian, o futebol passou a ser jogado de fato com 11 jogadores.

A revolução veio com a Alemanha e o craque (de novo ele) Manuel Neuer. Antes disposto com 10 jogadores, os esquemas táticos passaram agora a considerar o goleiro, pois de fato eles fazem parte do jogo de linha. Além de defensivos, cortando lançamentos em profundidade, os goleiros passaram a ser a primeira linha de ataque. Isso permite que dentro dessa tática a zaga jogue mais adiantada levando o time e seus setores a tão falada compactação.

Neuer executou como ninguém essa função de primeiro homem na Copa. O mapa de calor abaixo mostra por onde o goleiro andou na histórica partida diante da Argélia, a qual tive o prazer de assistir in loco.


Repare que não apenas a grande área é coberta pelo goleiro como também as suas laterais e a intermediária defensiva. Esse comportamento de Neuer permitiu à zaga alemã jogar de fato em cima da linha de meio campo, empurrando todo o restante do time para o ataque e espremendo a Argélia em sua área.

Para tornar essa tática possível, o trabalho técnico de pés é fundamental. O trabalho físico para garantir velocidade no arranque também. A força para chegar bem nas divididas da mesma forma. Por fim, a noção de espaço e tempo de bola para não se errar o bote tornam o goleiro o primeiro homem, de fato, de qualquer equipe de futebol contemporânea.

Mais uma lição desta Copa do Mundo histórica que levamos para a enciclopédia do goleiro. A partir de agora, somos de fato o camisa 1 de qualquer equipe.

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